MERCADO DE TRABALHO E PROFISSÕES EMERGENTES: CONHEÇA AS MAIS RECENTES CONCLUSÕES

Um cenário de muitas novidades, momentos de análise. Enquanto a população tenta se ajustar às rotinas impostas e se proteger da Covid, especialistas pesquisam e refletem sobre como o recente fenômeno sanitário, em interação com a tecnologia e as demandas organizacionais, afetará o mercado de trabalho e a necessidade deste ou daquele profissional. Para que a universidade possa cumprir uma função de auxiliar os estudantes nessa empreitada de como se colocar diante desse mundo complexo, a Coordenação de Pós-Graduação Lato Sensu da UTFPR (COESP) da Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação trouxe uma especialista para falar sobre o assunto à comunidade acadêmica.

Trata-se de uma “live”, apresentada pela professora Anna Silvia Setti, coordenadora dos cursos de especialização e MBA da UTFPR, que foi realizada dia 11 de fevereiro e cuja gravação está disponível no Canal da UTFPR no You-Tube. Aqui neste texto trouxemos um resumo dos temas abordados, de modo a servir de “aperitivo” para que você se interesse em assistir o vídeo, disponível no endereço:

https://www.youtube.com/watch?v=w_NjG6bcWEQ&ab_channel=CanaldaUTFPR
(com tradução em LIBRAS)

A convidada do evento é Raquel Valença, coordenadora de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Observatório Sistema Fiep (Federação das Indústrias do Paraná). A palestrante é graduada em Ciências Sociais e Fisioterapia; possui mestrado em Organizações e Desenvolvimento pela FAE Business School; é Especialista em Saúde da Família; e atualmente exerce a função de Coordenação de PD&I já citada. Este Observatório conta com os esforços de 40 mestres e doutores, e estabelece parcerias com equivalentes de outras unidades da federação e conta com acesso a dados internacionais.

Foram os resultados do mais recente trabalho de pesquisa deste órgão que Raquel veio trazer ao público da UTFPR. Uma parte das conclusões vem do estudo próprio do Observatório, outra parte lançando o olhar para outros estudos. Aproveite:

Em linhas gerais, a “live” tratou de quais são as características e as especialidades dos profissionais do futuro e como será o mercado de trabalho, visto que a pandemia e o desenvolvimento de tecnologias geram grandes e constantes mudanças no cenário. Assim, é necessário analisar como os estudantes podem estar melhor preparados para esses desafios e como eles afetarão as necessidades da indústria.

Existe uma retroalimentação: os fenômenos sociais incidem sobre o mercado de trabalho e vice-versa; o cenário é complexo e necessitamos de um enfoque multidisciplinar para entender. É preciso desenvolver um olhar presente, de curto prazo, mas também de longo prazo, identificação de futuro (ao longo da história, percebemos que muitas previsões, o que pensavam que seria o futuro, estavam equivocadas – Raquel traz exemplos de previsões que “floparam”).

Uma tendência emergente é a economia de baixo contato: empreendimentos que garantam a continuidade da atividade, mas mantendo o distanciamento social. Outra é a flexibilização permanente: novos arranjos de trabalho a partir das tecnologias digitais, maior ou menor flexibilização de acordo com a profissão.

Além destas, temos a limpeza e a desinfecção ubíqua, quer dizer, em todos os lugares; e a economia da ansiedade: para lidar com o aumento dos quadros de doenças mentais (o Brasil é o país com mais problemas de ansiedade (OMS)), são necessários terapia e prevenção, distencionamento. Também foi identificada uma demanda por “superapps”: o cidadão quer aplicativos que resolvam seus diversos problemas, um único app se possível. Áreas férteis para novas carreiras: análise de dados, relacionamento com clientes, logística.

O Observatório identificou também Sinais e “drivers” emergentes na pandemia. Fez uma varredura e destacou “clusters” tecnológicos: fornecedores abrindo códigos, descontaminação, maior preocupação com cenários de evolução hipotéticos (mercado de trabalho e pandemia), simulações moleculares (novas fórmulas), entretenimento interativo, nuvens adaptativas, codificação epidemiológica, vigilância biométrica, robotização pró-distanciamento, resiliência cibernética (devido a um suposto movimento hacker ascendente no planeta).

Tendências emergentes para o mercado de trabalho: infraestrutura líquida (o escritório sem base física), complementaridade de competências, inovação “do it yourself”, curadoria do conhecimento (sujeitos podem fazer sua prórpia), contratação remota, trabalho híbrido, literacia de dados (ser alfabetizado em dados), redefinição de varejo.

Empregos em alta em 2021 (resultados de uma pesquisa lançada pela rede social Linkedin) – Observatório pegou o recorte do Brasil (visão elitista, importante fazer exercícios em outras bases para ter retrato mais completo): médicos especializados, cargos em tecnologia, farmacêuticos e pesquisadores, cargos em vendas e desenvolvimento de negócios, especialistas em e-commerce, profissionais autônomos de conteúdo digital, especialistas em marketing digital, profissionais de finanças, telemarketing, cargos de apoio a saúde, serviços criativos, análises de dados, cargos focados no sucesso com clientes, profissionais do setor de varejo, especialistas em saúde mental.

A pesquisadora apresentou também alguns “insights” sobre o Longo Prazo, consistindo numa cauda de 2 a 5 anos:
-Setores “portadores de futuro” para o estado do PR (neste caso, para o período de 2015 a 2025), ouvindo mais de 300 especialistas. Emergentes: biotecnologia, economia criativa, economia da água, economia verde e nanotecnologia.

-Setores estruturais (são classificados como pilares do desenvolvimento pelo seus volumes de venda, estabelecimento no mercado e faturamento): setor automotivo e autopeças, celulose, papel e gráfica, economia do turismo e lazer, indústria da saúde e beleza, têxtil e vestuário, agroalimentar, bens de capital, construção, madeira e móveis, metal-mecânico.

-Setores transversais (impactam transversalmente as demais atividades econômicas): energia, meio ambiente, infraestrutura e logística, tecnologia da informação e comunicação, planejamento estratégico desses setores (mais informações no estudo disponibilizado por Raquel, no sítio observatorios.org.br).

Macrotendências (trata-se de uma curadoria do observatório feita a partir de diálogo com outras instituições, numa projeção de 10 a 15 anos): sustentabilidade, mudanças climáticas, envelhecimento populacional, desenvolvimento tecnológico, globalização da China, imaterialização (ambientes passam a ser digitalizados), transição urbana, migração, conectividade (deve aumentar mais com a chegada do 5G), sociedade do conhecimento, incerteza política e econômica, ampliação da desiguladade de classes (pandemia está sendo fator de aumento), exponencialidade, individualização.

“Drivers” (quer saber o que exatamente é um “driver”? Assista o vídeo) impulsionadores do mercado de trabalho nos últimos anos: retomada verde (elementos de economia circular, questão de sustentabilidade). São documentos de planejamento para o Paraná, produzidos pelo Observatório:
-Diversidade e Inclusão: já estava em movimento acendente, mas para grandes empresas. Em virtude da mudança da arquitetura social devido à pandemia, esse será um tema imperativo na agenda educacional e empresarial.

Existe a rota estratégica de diversidade e longevidade 2035, um esforço encomendado pelo Centro de Inovação SESI-PR. É um planejamento de longo prazo para diversidade e longevidade no mercado de trabalho, estruturado em quatro pilares, a saber: gênero, LGBTI, pessoas com deficiência, raça e etnia. Gênero é o mais trabalhado e percebeu-se uma interseccionalidade, quer dizer, sobreposições desses 4 temas (por exemplo: um jovem negro, gay e com deficiência), uma sobreposição de vulnerabilidades.
O segundo capítulo do material trata de longevidade: envelhecimento populacional, interação entre faixas etárias, agnosticismo etário (olhas as pessoas de modo equitativo, segundo a idade, no mercado de trabalho). Estratégias para o mercado de trabalho com foco em três pilares: aprendizagem ao longo da vida, saúde & bem-estar e trabalho – “reskiling” e “upskiling”, ao longo da vida reinventar-se, adquirir várias camadas de conhecimento ou ter várias profissões (o material está disponível em longevidade.ind.br/publicacoes).

Hiperautomação: “skills” 4.0 – habilidades para indústria. Observatório conjuntamente com Centro de Inovação SESI-PR produziu um material disponível em formato de fichas, apresentando gráficos para os pilares tecnológicos, habilidades nucleares e habilidades orbitais (suporte para as nucleares), com tratamento sistêmico destas. Nota: a pandemia acelera automação.

Perfis profissionais emergentes (algumas nomenclaturas devem ser mantidas no médio e longo prazos, porém com ementas modificadas, mas haverá novas profissões e cursos com novas nomenclaturas):
Designer de veículos autônomos;
Gerente de Escritório de Ética;
Cyborgs psicólogos;
Engenheiro de nanomedicina;
Nostalgista.

Há também um estudo do Observatório lançado em 2014, trazendo perfis profissionais de futuro para a indústria paranaense (pode ser visto no sítio observatorios.org.br). A pesquisadora Raquel falou também sobre como conduzir as reflexões sobre o mercado de trabalho e cenários possíveis (sistema, projeções para um nicho específico), bem como quais os mecanismos para aumentar a eficácia do futuro que imaginamos: predição, simulação, intencionalidade, ação. Outros eixos de análise são o de “multi-stakeholders” e pensamento complexo. Finalizando a “live”, a palestrante ainda respondeu a algumas perguntas da audiência.

Mais/outras informações em:
observatorios.org.br
longevidade.ind.br/publicacoes

E repetindo o endereço da “live”, no Canal da UTFPR:
https://www.youtube.com/watch?v=w_NjG6bcWEQ&ab_channel=CanaldaUTFPR

Confira!