Luto – Alfredo Bosi: um dos maiores críticos literários do Brasil

O campus Curitiba da UTFPR informa com pesar, em decorrência da COVID-19, a morte de Alfredo Bosi, professor emérito da USP e membro da Academia Brasileira de Letras, que ocorreu na data de ontem (07). O professor Cristiano de Sales, coordenador do curso Letras/Português e membro do Departamento Acadêmico de Linguagem e Comunicação (DALIC), presta sua homenagem em nome de toda a nossa comunidade:

Ontem (7/3) faleceu, em decorrência de Covid, o professor emérito da USP, crítico e historiador literário Alfredo Bosi, aos 84 anos. Foi um autor presente na minha formação em Letras, bem como ainda está presente na bibliografia das disciplinas que ministro. A forma de fazer viver seu pensamento fino e sensível acerca da literatura e, consequentemente, acerca da vida é tentar mover parte de seu legado. O mais bonito deles, para mim, foi o ensinamento de que, diante da perplexidade do mundo, da precariedade, do apequenamento, do esvaziamento de sentido, da violência e da barbárie do mundo, um poema é a colocação de uma pergunta. Logo, quando sentimos que a perplexidade é a tônica da história, o poema, ou uma narrativa, uma pintura, uma música, um filme, coreografia, peça, um pensamento sensível, enfim, tudo que consiste numa pergunta… pode ser um começo.
Então, ontem, poucos minutos depois de saber de sua morte, tendo de desfazer o nó grosso na garganta para entrar em videoconferência com os alunos para uma aula, tentei mover um pouco desse legado. Li com os estudantes vários trechos de Dom Casmurro. Ficamos estarrecidos com a capacidade criativa desse artista imenso. Um artista que viveu em tempos de barbárie, numa sociedade escravocrata absolutamente estúpida para a vida intelectual. O bacana foi que, nessa hora e meia de leitura, demos bastante risadas… foi divertido. Nesse momento da aula – que sempre pode transbordar para a vida -, a barbárie, a perplexidade e a morte não foram a tônica. O que predominou foi a vida.

Alfredo Bosi – créditos da foto: Ormuzd Alves – 14 de outubro 1992/ Folhapress