Eletrônica promove Acordo de Cooperação entre Campus e empresa alemã de tecnologia

O Departamento Acadêmico de Eletrônica do campus Curitiba (DAELN-CT) recentemente ampliou e consolidou uma parceria com a empresa alemã ZF, importante fornecedor mundial da indústria automotiva. Em janeiro e fevereiro últimos foi finalizada a assinatura de Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre UTFPR e a Fundação de Apoio à Educação, Pesquisa e Desenvolvimento Científico e Tecnológico da UTFPR (FUNTEF-PR) referente à execução do projeto “Innovative techniques for automotive ECUs”. Nesta mais recente fase da parceria, abre-se a oportunidade para 16 estudantes participarem, por 3 meses, em um estágio único e de atividades bastante intensas, mas com um aprendizado ímpar que, afinal, é o ponto principal da execução de projetos em parceria Universidade-Empresa.

Necessário destacar que a “ZF Friedrichshafen AG”, geralmente abreviada como ZF, é um dos maiores produtores mundiais de peças automotivas, especialmente transmissões. Também produz peças para as indústrias naval, aerospacial e ferroviária. Tem cerca de 240 unidades em 40 países e mais de 140.000 empregados. A experiência de estágio em uma empresa como essa representa uma oportunidade praticamente única para nossos estudantes.

Quem conta a história desta parceria de sucesso é Douglas Renaux, professor do DAELN e à época Pró-Reitor de Relações Empresariais e Comunitárias. Ele relata que a interação entre ZF e DAELN-CT teve início em 2013 por ocasião de um congresso na Alemanha chamado “International Embedded Systems Symposium”, organizado pela International Federation for Information Processing (IFIP), onde se estabeleceu o primeiro contato, na ocasião com o gerente de área na sede da ZF em Friedrichshafen, Alemanha. Professor Douglas conta que eles conversavam sobre atividades e projetos e o professor aproveitou a oportunidade para sugerir o encaminhamento de candidatos às vagas de estágio na ZF. “Eu indicaria os melhores alunos de Embarcados para a vaga, que passariam por um processo seletivo na ZF”, relata Douglas.

O interesse de trazer projetos para o DAELN é antigo, não obstante as dificuldades de infra-estrutura laboratorial para atividades nesta área e termos de sigilo dos contratos. Na sede da ZF, desenvolvem-se projetos que estão muito à frente do que está atualmente no mercado. Em duas ou três oportunidades anteriores “quase” foram concluídas contratações de projetos, mas, seja por mudanças organizacionais lá na Alemanha ou por demoras aqui em Curitiba, estas contratações não ocorreram.

Assim, a partir deste interesse prévio, em 2013 já foram disponibilizadas duas vagas. O sucesso foi enorme, inesperado para ambos os lados, lembra Douglas. “Nossos alunos deram um show de desempenho e de trabalho em equipe em relação a estagiários de outras partes do mundo.” Este sucesso levou à repetição periódica dos estágios na ZF, de forma sempre crescente desde então. Sendo que já em três ocasiões houve visitas de profissionais da ZF à UTFPR para saber “de onde vinham estes excelentes alunos”. No entanto, a colaboração ainda não estava oficializada nos moldes mais consistentes como aconteceu agora.

Para esta mais recente fase da parceria, o edital de seleção é o DIREC-CT 02/2021 que foi lançado no dia seguinte à contratação. A negociação, que vinha ocorrendo desde setembro de 2020, foi extremamente complicada pelas diferenças jurídicas entre Alemanha e Brasil. Entretanto, com orientação da Procuradoria de Assuntos Jurídicos (PROJU) da UTFPR, o caminho se apresentou na forma da ZF contratar a FUNTEF (fundação privada), e esta subcontratar a UTFPR (instituição pública). De setembro de 2020 a fevereiro de 2021 houve trabalho intenso de resolução de entraves burocráticos e jurídicos, consubstanciando-se em dois contratos: 1 – entre ZF e Funtef, em janeiro de 2021; e 2- entre FUNTEF e UTFPR, em fevereiro de 2021.

Este segundo contrato tem por escopo a participação dos recursos humanos (docentes e discentes) e o ressarcimento à UTFPR. As demais questões contratuais se resolvem então no contexto da própria FUNTEF. Tão importante quanto este projeto com a ZF é a experimentação deste novo modelo de contratação, com grande potencial para utilização em ACTs com inúmeros parceiros. Os detalhes de execução do projeto estão sob sigilo, mas pode-se relatar que está dividido em três subprojetos, coordenados pelo Prof. Rubão*, pelo Prof. Erig** e pelo próprio Prof. Douglas.

Foi uma alegria enorme o sucesso na contratação, comemora Douglas e completa “agora vem a parte boa do trabalho que é a execução técnica deste. O sucesso na contratação, além de muito esforço e comprometimento dos coordenadores, contou com apoio e esforço da FUNTEF, PROREC, PROJU, chefia do DAELN-CT, DIREC-CT, e certamente de vários outros setores, até a solução.”

A VIVÊNCIA DO ESTUDANTE

Quando a gente fala em “acordo de cooperação”, “fundação de apoio” e outros termos e siglas que parecem pertinentes somente à administração da universidade, é importante termos em mente que, como pano de fundo disso tudo, está a formação de estudantes e um período da própria vida destes. Para que outros estudantes da UTFPR e até mesmo de outras instituições tenham uma ideia melhor do que seja participar de um projeto assim, em outro país, nós conversamos com Gregory Wonsttret de Faria, hoje cursando o oitavo período de Engenharia Eletrônica, e que participou de estágio na ZF em 2019. Ele nos forneceu o relato que segue:

O meu estágio em Engenharia Eletrônica na ZF Friedrichshafen, Alemanha.

Graças aos meus professores, que fizeram questão de anunciar diversas vezes sobre a palestra que ocorreria durante a semana na faculdade, enfatizando a oportunidade única de se trabalhar numa empresa alemã, fiquei sabendo do estágio naquela empresa. Na palestra, após explicarem o que a empresa fazia e as oportunidades de estágio nela, houve a coleta de dados de alunos interessados e eu me cadastrei.

Processo seletivo:
Após colocar o nome em uma lista e a data de entrevista desejada, recebemos em nosso e-mail o horário e local para comparecimento. A entrevista se deu completamente em inglês, e os entrevistadores foram enfáticos que a fala da língua alemã não era necessária. Após diversas perguntas sobre mim e a experiência adquirida ao longo do curso, conversamos sobre alguns projetos do setor, testando meus conhecimentos técnicos nessas áreas e também o meu interesse por cada uma das áreas em que poderia vir a atuar dentro do setor. Todo esse processo seletivo se deu em maio.

Preparação:

A vaga era pra começar a estagiar na Alemanha no dia 2 de setembro. Uma janela extremamente curta para adaptações, tirada de visto, entre outras burocracias. Porém, ao ser aprovado, a ZF tomou conta de praticamente tudo isto. Em tempo recorde, me enviaram toda a documentação necessária (contratos, certificados, datas limite recomendações). Contei também com a ajuda de todos meus professores, sem exceção. Todos estavam contentes em ver seus alunos tendo oportunidades de representar a UTFPR lá fora.

Um outro país:

Ao chegar na Alemanha houve uma dificuldade inicial, ao se mudar para um país estrangeiro sem falar a língua (zero de alemão), mas que também trouxe um incentivo a mais. Conhecer novas culturas, aprender uma língua nova, sair da zona de conforto e dar as caras ao mundo. O contrato inicial era de seis meses, mas por interesses mútuos, acabei estendendo o contrato até onze meses.

Desenvolvimento profissional:

Em questão de atividades, tive oportunidade de trabalhar com diversas aplicações. Porém, foquei em desenvolvimento em VHDL para FPGA. Uma tecnologia incrível, com a qual só poderia ter um contato tão próximo e profissional em uma empresa deste porte. Aprendi muito sobre diversas áreas, e principalmente como projetos grandes em empresas grandes funcionam. O estágio na ZF Friedrichshafen com certeza foi o ápice da minha carreira profissional e será difícil superar uma experiência tão positiva.

Conclusões:

Foi uma oportunidade única de trabalhar ao lado de profissionais referência no mercado, em uma empresa de ponta. Em questões pessoais, me permitiu uma curva de amadurecimento muito rápida: aprendi a morar sozinho, cozinhar, trabalhar, pagar as contas, viajar, criar amizades, tudo em uma janela curta de tempo. Gostaria de retornar um dia com o diploma de engenheiro, e sei que serei bem-vindo quando o fizer.

A dica que eu daria aos estudantes da Engenharia Eletrônica hoje é a mesma que eu daria a mim mesmo anos atrás: Continue estudando, dando o melhor de si, e aproveite todas as oportunidades possíveis, inclusive a de estagiar na ZF.

Gregory na Alemanha em companhia de brasileiros, vários deles da UTFPR.

*RUBENS ALEXANDRE DE FARIA, atual Pró-Reitor de Relações Empresariais e Comunitárias.

**CARLOS RAIMUNDO ERIG LIMA, atual Pró-Reitor Adjunto de Relações Empresariais e Comunitárias.