Professores da UTFPR discutem colonialismo e racismo em oficina

Durante o mês de fevereiro, o campus Curitiba da UTFPR recebeu mais uma edição da Jornada de Formação Docente. O evento consiste em um conjunto de palestras, mesas redondas, cursos e oficinas sobre didática, vida na universidade, projetos de pesquisa e extensão e demais questões acadêmicas. Dessa vez, um dos destaques foi a oficina de Branquitude e Educação Anti-racista, ministrada por Andrea Kominek, pesquisadora na área de branquitude crítica e docente do Departamento Acadêmico de Estudos Sociais DAESO) e Programa de Pós-graduação em Tecnologia e Sociedade (PPGTE), nos dias doze e treze de fevereiro.

Andrea Kominek

A oficina abordou uma perspectiva crítica em relação à presença branca em uma sociedade racista, principalmente em sala de aula. De acordo com Andrea, a proposta principal dos estudos sobre branquitude é desconstruir a imagem do homem branco, ocidental, cisgênero e heterossexual como sujeito universal, sendo a referência para representações criativas, como na publicidade, literatura, cinema, etc., e também na maneira de se desenvolver atividades acadêmicas. A oficina também conta com uma “pegada” decolonialista, explorando autores africanos e latinos, muitas vezes negligenciados pela academia. 

Oficina de Branquitude e Educação Anti-racista

Uma das participantes do evento, Valéria de Oliveira Santos, docente do Departamento Acadêmico de Linguagem e Comunicação (DALIC), ressaltou a importância da oficina e relatou já ter presenciado em sala de aula episódios de angústia de alunos negros que não se sentiam representados pelos conteúdos estudados, sendo os autores discutidos majoritariamente brancos e europeus.

Maíra Kaline, membra do Coletivo Enedina, o coletivo de negras e negros da UTFPR, estudante do curso de Comunicação Organizacional, também menciona a importância de compreender a questão racial de forma geral: “a gente chega na universidade com uma perspectiva vaga e fraca da presença africana, e muito eurocentrada […] pelo menos na universidade pública a gente quebra um pouco disso, mas ainda assim encontra um ambiente branco e muitas vezes racista, que exclui de alguma forma, obstrui trabalhos…”.

Outro estudante, Andrey Ramos, também ofereceu seu relato. De acordo com Andrey, no início de sua graduação, ele se deparou com professores mal preparados para abordar questões raciais em sala de aula, inclusive, propagando ideias e falas segregacionistas, “ele (o professor) mencionou ainda que era difícil ver dois negros dentro da universidade. Dentro de todo o espaço, a somatória não passava de cinco. […] A gente vem sendo suprimido dentro desse espaço branco a muito tempo, e se torna tão natural, tanto para eles como pra gente.’’