Grupo de Estudos Ecocríticos promove concurso de fotografia entre os meses de Julho e Agosto

O Grupo de Estudos Ecocríticos (GECO) está promovendo, entre os meses de julho e agosto, o “I Concurso de Fotografia – Natureza em meu quintal”. O objetivo deste concurso é proporcionar aos participantes uma experiência através da fotografia, incitando-os à prática da observação e percebendo que a natureza não é algo distante e isolado do cotidiano, promovendo uma reflexão sobre o modo que se relacionam com o meio ambiente. Além disso, procura-se divulgar a ecocrítica como campo de estudo de literatura e a existência desse grupo de estudos.

O GECO é um grupo de estudos e pesquisas interinstitucional, composto por docentes e discentes de diferentes níveis de ensino, da iniciação científica ao doutorado, de variadas áreas de formação, com predominância do curso de Letras. O grupo foi formado a partir de uma união entre UTFPR e Universidade Federal do Paraná (UFPR) e atualmente é coordenado por Klaus Eggensperger, professor da UFPR, e Márcio Matiassi Cantarin, professor da UTFPR.

Em entrevista com Cantarin, ele explica que a ideia de fazer um concurso de fotografia veio a partir de uma rotina que o grupo de whatsapp do GECO possuía. Quase diariamente, algum membro envia uma foto (principalmente neste período de pandemia), com comentários do tipo  “percebemos que mostrar a casa de cada um, nem que fosse um cantinho do jardim ou o pôr do sol da janela, é uma forma de nos manter próximos e “íntimos”. Então, revela Márcio Cantarin,  “pensamos: por que não extrapolar isso para fora do grupo? A ideia do concurso foi uma resposta natural para essa nossa inquietação.”

A primeira edição do concurso tem como tema “Natureza em meu quintal”; os participantes poderão participar em três categorias, considerando o tipo de residência do participante, sendo essas: casa, prédio ou área rural. O professor comenta que a palavra “quintal” é apenas um indicativo daquilo que o fotógrafo deve explorar em suas fotos para este concurso, e seria algo que ele entende ser a natureza que “está perto da gente no dia a dia”.

Não é porque estamos isolados em nossas casas que estamos distantes da natureza, aliás, fazemos parte dela. Ela não está nas florestas, nos parques e zoológicos apenas, mas se revela até no matinho que cresce pela rachadura da calçada, no mofo dos alimentos ou atrás do sofá, no cupim que ataca os móveis… Ela também é a sabiá que canta na araucária… De que modo nos relacionamos com a natureza considerando essa amplitude? Queremos perceber isso pelo olhar dos fotógrafos.

Também foi perguntado a Cantarin sobre como ele considera a relação entre fotografia e ecocrítica; a resposta foi de que acredita que o impacto dramático que uma foto pode provocar, de imediato, no observador, vale mais do que mil discursos de conscientização. 

Como Roland Barthes comenta em seu livro “A Câmara Clara”, na foto há dois elementos, o Studium e o Punctum; este primeiro causa interesse pela foto, demonstra o que o fotógrafo quis mostrar com ela. Já o segundo elemento seria algo como uma flecha, que fere, atravessa. O ato de fotografar é uma forma de observar o mundo ao redor, expor o inobservável que nos percorre durante o cotidiano, praticar o olhar e ter esse viés mais crítico.

Os primeiros colocados de cada categoria receberão, como premiação, dois livros sobre a temática voltada para a educação ambiental e ecologia, já os segundos e terceiros colocados receberão um livro. Todos participantes receberão certificados de participação em Evento de Extensão, emitidos pela UTFPR.

A inscrição é gratuita e poderá ser feita no período de 1. de Julho a 10 de agosto de 2020, através do e-mail geco.ecocritica@gmail.com. Para mais informações, é possível de encontrar pelo facebook do GECO, seu site oficial ou pelo regulamento do concurso.

ALEXANDRE AZEVEDO PERICH

ALEXANDRE AZEVEDO PERICH

Aluno do curso Bacharelado em Comunicação Organizacional na UTFPR. Assessor de comunicação do campus Curitiba da UTFPR e Fotógrafo desde 2013.