Pesquisa visa análise de rios e esgotos para identificar regiões com contaminação de Covid 19

Quando você toma algum remédio, 60 por cento dele é eliminado pela urina ou fezes e vai acabar nos esgotos. Em Curitiba, alguns esgotos deságuam nos rios Belém, Atuba, Barigui, Palmital e Iguaçu. Em tempos de pandemia, para se realizar um estudo sério, tanto do coronavírus (considerando que o vírus SARS-CoV – vírus respiratório envelopado – leva aproximadamente nove dias para desaparecer de meios aquosos) quanto dos fármacos utilizados nos tratamentos à Covid 19 (cloroquina, ibuprofeno, paracetamol, diclofenaco, naproxeno, azitromicina), e buscar uma projeção de contaminados, é preciso analisar esses dois extremos.

Neste sentido é que Julio Cesar de Azevedo, professor do Departamento Acadêmico de Química e Biologia (DAQBI) e diretor de pós-graduação do campus Curitiba, apresentou uma proposta de pesquisa para se estudar a possibilidade de identificar regiões com maior problema de contaminação de Covid-19 através de análises de água superficiais e esgotos na Região Metropolitana de Curitiba. Julio explica que, segundo a Organização Mundial da Saúde, “para que epidemias sejam suprimidas e controladas, é necessário que os países isolem, testem, tratem e rastreiem, caso contrário, as cadeias de transmissão permanecerão em níveis baixos, podendo ressurgir a contaminação por COVID -19”, e esse projeto vai ao encontro dessas medidas, pois “o monitoramento de vírus e contaminantes biomarcadores em corpos hídricos passa a ser uma alternativa para o mapeamento e rastreamento desse organismo”.

Assim, em estudos nas águas superficiais dos rios, o pesquisador visa quantificar, nos rios da Região Metropolitana de Curitiba (RMC):

– fármacos que estão sendo empregados para amenizar os efeitos nos pacientes com COVID-19. As análises serão realizadas no Laboratório de Estudos Avançados em Química Ambiental (LEAQUA/UTFPR) e no Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Tecnologia Ambiental (NIPTA/UTFPR) do campus Curitiba.

– a incidência do vírus. Neste caso, o professor conta com uma parceria: “estamos ajustando que estas análises sejam realizadas com apoio do pesquisador da Universidade Federal do Paraná, Ciro Alberto Ribeiro, do Programa de Pós-Graduação em Biologia Celular e Molecular (PGBIOCEL)”.

Além disso, Julio entende que um dos grandes problemas para os gestores é a dificuldade em projetar o número de pessoas contaminadas, já que muitos estão assintomáticos ou apresentam sintomas leves. Dessa maneira, ele propõe dois questionamentos:

a) De que maneira um gestor poderia ser alertado sobre a quantidade de casos em uma região?

b) Como avaliar os casos assintomáticos?

Uma forma de resposta a essas perguntas pode ser através da avaliação de efluentes domésticos/ rede de esgotos, “pois tanto os sintomáticos como os assintomáticos eliminam vírus na urina e fezes, o que nos possibilita desenvolver modelos matemáticos projetando a contaminação regional”.

Essa parte da pesquisa terá o apoio do pesquisador Cristóvão Vicente Fernandes,  do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Recursos Hídricos e Ambiental da Universidade Federal do Paraná.

“Assim, esperamos contribuir em mapear as principais regiões com maior número de contaminados por COVID-19”, conclui o professor, que apresenta seu grupo de trabalho: “esta pesquisa contará com a atuação da minha orientanda Luana Mayumi Marques, mestranda do PPGCTA da UTFPR, de Bárbara Alves de Lima (fez mestrado no PPGCTA da UTFPR e agora é doutoranda no PPGERHA da UFPR) e Luis Otávio Miranda Peixoto, mestre pelo PPGERHA da UFPR, além de dois alunos de iniciação científica que oriento”.

Luana, Bárbara e Luis