Conheça Décio Adams, um novo escritor de longa data

Quase padre, ex-militar e bancário. Professor aposentado do campus Curitiba da UTFPR, na época, Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná (CEFET),  Décio Adams é, hoje, escritor. Não por simplesmente escrever “qualquer coisa”, mas por pensar e criar contos, romances e romances históricos. O literato já idealizou e publicou onze volumes entre as obras Contando um conto e aumentando um ponto…,  A saga da Família Cruz, Um Veterinário Judeu nos pampas, Gaúcho de São Borja, Japonês Especialista em Cachaça e O Mineiro Sovina.

Para Décio, tornar-se escritor não acontece após a aposentadoria. É, na verdade, um processo que se inicia desde os tempos de seu ‘antigo ginásio’, em 1963, quando seu professor – que Décio fez questão de mencionar seu nome, Carlos Afonso Schmitt – lhe ensinou  ‘tudo o que sabe em relação à escrita, leitura, dicção e interpretação de texto’. Apesar disso, o escritor se lamenta por ter demorado tanto tempo, de 1963 até 2012 – quando começou a escrever seus primeiros contos publicados -, para voltar a praticar a escrita  literária, criativa. Por que, então, o ócio?

Talvez a pergunta a ser feita não deva ser exatamente sobre o tempo que Décio passou sem escrever, mas sobre o que o fez retornar à literatura. No dia 12 de outubro de 2011, Décio passou por uma experiência de quase morte. Um acidente automobilístico o colocou por 67 dias em um hospital, sendo 48 deles em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Fraturou a perna esquerda e rompeu artérias. Chegou ao hospital em condição de choque hipovolêmico, o que significa que perdeu pelo menos 20% do sangue do corpo. Nas palavras de Décio, a experiência se descreve em: “Seguiram-se 19 dias (os 19 primeiros dias no hospital) de alternância entre estados de coma e consciência, delírios, flertes com a morte. Não foi apenas uma vez que minha esposa e um dos filhos ficaram por horas esperando no hospital pelo momento do desenlace. Todavia, em certo momento, eu superava a crise e voltava à vida”. A saída, no entanto, também seria motivo de angústia a longo prazo; afinal, devido ao risco de gangrena, Décio perdeu uma de suas pernas: “ao voltar para casa, não trazia nenhuma esperança de ter algum fragmento de vida útil. Sentia que seria apenas um peso para a família.”.

Parece… mas a história que contaremos aqui não é mais um daqueles clichês sobre superação. Após o acidente, Décio se encontrava sem muitas expectativas que não de um eterno incômodo para o futuro, até que, no início de 2012, passou a trocar frequentes e-mails com sua irmã, que se encarregou de repassar as notícias do acidente ao restante da família. Mensagem vai, mensagem vem, Décio acaba se empolgando e digita a sua irmã aquilo que, dada a extensão do texto, chamou de “um verdadeiro jornal”, digno de um pedido de desculpas por tamanha prolixidade. Para a surpresa de Décio, o indulto foi gracioso: sua irmã respondeu que, não importa o tamanho, é sempre agradável ler seus escritos. Foi o suficiente para lembrar Décio de um prazer jogado a escanteio durante os, na época, últimos 50 anos. Agora, sua primeira entusiasta e irmã não precisa mais se contentar em ler apenas e-mails sobre o próprio Décio ou sobre seu estado de saúde, pois, desde então, Décio já escreveu, além das diversas pequenas histórias contadas por seu avô durante sua infância, que foram enviadas apenas à sua irmã para análise – ela é licenciada em Letras -, mais de onze volumes entre contos, romances e romances históricos.

Imagem retirada de seu perfil no twitter: @AdamsDcio

Seu primeiro livro, Contando um Conto e Aumentando um Ponto, de tão extenso – cerca de 500 páginas -, precisou ser dividido em dois volumes. Na verdade, A Saga da Família Cruz é o livro que fecha a trilogia iniciada por Contando um Conto e Aumentando um Ponto, que conta uma história se abrange por um século inteiro passado na história do Brasil.

Também perguntamos a Décio sobre as escolhas curiosas nas identidades de seus personagens, como em Um Veterinário Judeu. Na verdade, Décio não se lembra do por que optou por uma persona de origem judaica, mas ressalta que foi necessária muita pesquisa sobre a história do povo judeu, desde sua origem até a contemporaneidade. A obra ainda contém outros dois volumes, que contam as histórias de Josef, o Veterinário Judeu, em uma colônia germânica chamada Vila Nova. Até aqui, Décio já teria publicado oito livros! Todos escritos em um pequeno netbook, também sobrevivente do acidente que levou Décio à UTI – o computador estava dentro da mochila que carregava. No ano passado, foram publicados Gaúcho de São Borja, Japonês Especialista em Cachaça e Mineiro Sovina, os únicos de sua bibliografia que, por enquanto, não se encontram disponíveis em algumas das bibliotecas do campus Curitiba.

Décio também falou sobre sua relação com a profissão pedagógica e a escrita: “Eu penso que o Décio escritor sempre viveu em mim, apenas estava latente, a espera do momento oportuno ou um fato que o fizesse despertar. Prefiro pensar que eu até a aposentadoria, e mesmo depois, estava em preparação. Nunca deixei de ler. Li muito”, e complementa, “creio que o Décio escritor coexistiu sempre com o Décio professor, apenas não se manifestou mais cedo. Era uma questão de prioridade. O Décio professor tinha condições de ganhar imediatamente uma remuneração que garantia o sustento da família. Era um objetivo estabelecido na juventude: casar e ter filhos, mantendo o casamento até o fim, envidando todos os esforços para consecução desse intento.”.

Claramente, essa história não é só sobre superação, porque o Décio que escreve nunca não existiu. Décio não retorna à literatura, porque dela nunca saiu, o que acontece é uma reinvenção, um impulso, que não surge por conta de um acidente trágico, mas por conta da própria escrita. Não no momento que sua irmã elogiou seu texto. A paixão pela escrita é um sentimento que cresce desde suas aulas com Carlos Afonso Schmitt – já que é essa sua resposta quando perguntado -, e que amadurece durante toda sua vida, durante seus encontros com a literatura, com a sala de aula, com as histórias contadas por seu avô.  

Atualmente, inspirado em O Livro de Urântia, Décio está escrevendo sua sétima saga, que leva o título de Fantástico Mundo Novo e também será dividida em três volumes. A obra conta uma história que, a depender da subjetividade de cada leitor, pode ser fantástica e mística.” Décio também mantém dois blogs destinados ao ensino de física e matemática. Para mais informações, acesse seu site pessoal clicando aqui.

Francisco Camolezi

Francisco Camolezi

Aluno do curso Bacharelado em Comunicação Organizacional na UTFPR. Assessor de imprensa no campus Curitiba da UTFPR.