Campus Curitiba contra o assédio: confira a formação promovida pelo DCE e NUAPE

Entre os meses de Agosto e Setembro foi realizada, online, a “Formação Anti-Assédio” pelo Diretório Central dos Estudantes do campus Curitiba (DCE-CT) e o Núcleo de Acompanhamento Psicopedagógico e Assistência Estudantil (NUAPE), para os Centros Acadêmicos (CA) e Associações Acadêmicas Atléticas (AAA) do campus Curitiba. O objetivo da Formação, segundo Julia Rinaldi Silveira, atual presidente do DCE-CT, “Capacitar os representantes estudantis a encaminhar denúncias de assédio, bem como construir um grupo de trabalho que apresente propostas para o combate ao assédio e criação de um protocolo de encaminhamento de denúncias dentro da UTFPR.”

No final de 2019, o DCE começou a receber denúncias de assédio, motivando-os a procurar entender como proceder nesses casos. Após conversar com os CA’s e Atléticas sobre como coibir o assédio nos espaços universitários, perceberam que havia dúvidas sobre o assunto, tais como: o que o define, formas  de denúncia, acolhimento à vítima, prevenção, entre outras. 

A partir daí, o Diretório procurou o NUAPE para que o auxiliasse a produzir o curso de uma forma produtiva e humanizada, e o Núcleo de Acompanhamento aderiu à participação desse processo. Tendo assim como organizadores do curso Júlia Rinaldi, Thalya Castro e Luiz Fernando Rosa, membros do DCE, Claudia Bragança Pedro, assistente social do NUAPE, e as estagiárias de assistência social Géssica Ferreira e Larissa Eduarda.

De acordo com Claudia, o que foi feito como serviço social do NUAPE foi a coleta das questões e as angústias que as discentes queriam que fossem abordadas na formação para as entidades representativas estudantis, e posteriormente a organização e sistematização desse conteúdo por módulos feitos entre o período de 29 de agosto e 19 de setembro.

O primeiro módulo da formação foi sobre “Características do assédio e as violências na universidade”;  tendo um aporte mais teórico, foi apresentado por Tamíres Oliveira, assistente social da Defensoria Pública do Paraná (DP-PR), Lindamir Casagrande e Nanci Stancki, do Núcleo de pesquisas em Gênero e Tecnologia (GETEC) da UTFPR, sendo mediado por Suzane Geibel, do Coletivo Afronte.

 O segundo módulo foi sobre “Procedimentos da Ouvidoria da UTFPR contra o Assédio”, contando com a presença da Lilian Moreira Garcia, Ouvidora do campus Curitiba, que elucidou as dúvidas do que a ouvidoria pode oferecer nesses casos e também experiências de casos que já ocorreram; a mediação da apresentação foi feita por Stefany Fernandes, do Coletivo Afronte.

No Terceiro módulo foram exploradas as “Experiências do SIPAD da UFPR no acolhimento de denúncias”, em que Silva Lima, assistente social, e Diana Theodoro, psicóloga, ambas da Superintendência de Inclusão, Políticas Afirmativas e Diversidade da Universidade Federal do Paraná (SIPAD-UFPR), dialogaram sobre suas experiências com estes casos na Superintendência e como adaptar isso para a realidade da UTFPR; a mediação deste foi feito pela Amanda Sihvenger, psicóloga.

Também houve a presença das profissionais da Casa da Mulher Brasileira, no quarto módulo, com o título “Mecanismos Legais e Atuação da Defensoria Pública”, em que houve esclarecimento sobre até onde a casa da mulher pode atuar; orientação sobre o que é possível de se fazer em uma situação de assédio; e os encaminhamentos no sentido processual, para o caso dessas mulheres levarem a situação para uma demanda judicial. Essa apresentação foi lecionada por Janaina Nunes, assistente social (DP-PR), e Jéssica Nunes, psicóloga (DP-PR), com a mediação feita por Maria Rita Delladone, estudante de Psicologia na FAE.

Como último módulo, “Estratégias de fortalecimento no combate ao assédio na UTFPR”, foram discutidas propostas para ações continuadas dentro da UTFPR em combate ao assédio, contando com as entidades estudantis representativas; teve como mediadora Julia Rinaldin.

O curso contou com a participação de 15 Centros Acadêmicos e 3 Atléticas do campus Curitiba.

Claudia Bragança, organizadora da Formação, comenta que espera que em um futuro breve, a UTFPR seja um espaço de referência para estudantes mulheres, que possam ser devidamente acolhidas, tendo trabalhos dentro da instituição em prevenção e combate dessas situações.

“Espero que este curso seja o início de um trabalho que tenha uma visão mais voltada para educação em direitos humanos na UTFPR. Com todas informações que a gente teve, e por meio dessas ideias sistematizadas, que seja possível promover a reflexão da consolidação de políticas públicas no tocante da violência contra as mulheres.”

E finaliza citando Paulo Freire – “Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo”.

ALEXANDRE AZEVEDO PERICH

ALEXANDRE AZEVEDO PERICH

Aluno do curso Bacharelado em Comunicação Organizacional na UTFPR. Assessor de comunicação e marketing do campus Curitiba da UTFPR e Fotógrafo desde 2013.