Bate-papo com… Tatiana Gadda

Tatiana Gadda é professora do Departamento de Construção Civil (DACOC) do campus Curitiba da UTFPR. Atua na graduação em Engenharia Civil, e no Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade Ambiental Urbana (PPGSAU) e em Engenharia Civil (PPGEC).

PhD em Ciências Ambientais Humanas e da Terra pela Universidade de Chiba, no Japão, No doutorado, na mesma Universidade japonesa, foi pesquisadora de cooperação na Unidade de Desenvolvimento Internacional e Planejamento Regional da Universidade de Tóquio. Tatiana tem Mestrado Científico em Planejamento Físico pelo Royal Institute of Technology (KTH), na Suécia, e é graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná; desenvolveu e conduziu pesquisa em vários tópicos incluindo revitalização urbana, sistema de transporte urbano, consumo sustentável, fluxos de materiais, sistema de alimentação urbana e análise de ecossistemas urbanos.

Nesse universo amplo de envolvimento com as Ciências, Tatiana é “expert member” do IPBES – Intergovernmental Platform for Biodiversity and Ecosystem Services das Nações Unidas e do BPBES (Brazilian Platform for Biodiversity and Ecosystem Services), um dos projetos cotados para o Prêmio Nobel da Paz deste ano. E é sobre isso que ela conversa com o e-campus.

Ecampus: Vocês (IPBES) foram indicados para o Prêmio Nobel da Paz. Como se dá essa indicação? Quais os caminhos a se percorrer?

T. Gadda: As indicações são sigilosas, contudo a mídia internacional divulgou a informação sobre a indicação do IPBES ao Nobel da Paz. O rumor seria que a indicação teria vindo da Alemanha. É um importante reconhecimento do trabalho.

Ecampus: No que consiste a Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos – IPBES?

T. Gadda: É um órgão intergovernamental independente formado através das partes (países) para fortalecer a interface entre ciência e políticas para a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos visando a conservação e o uso sustentável da biodiversidade, o bem-estar humano a longo prazo e o desenvolvimento sustentável.

Ecampus: Qual é o histórico da plataforma?

T. Gadda: O IPBES costuma ser comparável ao IPCC, embora este último tenha surgido muito antes. O IPBES foi estabelecido na cidade do Panamá, em 21 de abril de 2012, por 94 Governos. Não é um órgão das Nações Unidas. Entretanto,conforme demanda da Plenária do IPBES e com a autorização do Conselho de Governança da UNEP, em 2013, a UNEP (United Nations Environment Programme provê serviços de apoio ao IPBES.

Ecampus: Quantos pesquisadores estão envolvidos?

T. Gadda: Várias centenas de pesquisadores de todas as regiões do planeta.

Ecampus: Como se deu seu envolvimento?

T. Gadda: Eu fui pesquisadora na United Nations University no período de elaboração da Avaliação Ecossistêmcia do Milênio, em que meu diretor teve papel de protagonismo. Mas meu envolvimento com a temática da Biodiversidade e Serviços ecossistêmicos começou um pouco antes, no meu doutorado. Quando soube que o IPBES iria começar a desenvolver as avaliações, me candidatei para contribuir com o Diagnóstico das Américas. Minha candidatura foi endossada pelo Itamaraty e homologada pelo IPBES. Dentro do diagnóstico das Américas, eu atuei no capítulo de cenários futuros, que é um capítulo fundamental para os tomadores de decisão.  Nossa missão é conseguir passar para os tomadores de decisão quais as possíveis trajetórias para chegarmos num cenário com foco no bem-estar humano através da melhor e mais robusta ciência. 

Ecampus: Como você, enquanto pesquisadora, se sentiu ao receber a notícia da indicação?

T. Gadda: Me senti orgulhosa de fazer parte de um trabalho tão importante que merece ser indicado ao Nobel da Paz. Me senti feliz ao constatar que a agenda da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos é reconhecidamente uma agenda de paz. Afinal, a paz e a segurança dependem dos benefícios da natureza para as pessoas.