Bate-papo com… Marcio Matiassi Cantarin

“Esperança sobre a possibilidade de sobrevivência da espécie humana em nosso planeta e de uma sobrevivência minimamente digna e saudável”

Você conhece o GEco? É sua chance. Dias 22 e 23 (sexta-feira e sábado), acontece o I Colóquio de Estudos Ecocríticos – parceria entre a UTFPR, UFPR e UNILA

Márcio Matiassi Cantarin, professor do Departamento Acadêmico de Linguagem e Comunicação (DALIC) do campus Curitiba e um dos coordenadores do Grupo de Estudos Ecocríticos (GEco).

O GECO foi criado em 2017, a partir de uma convergência de interesses entre o Prof. Klaus Eggensperger (UFPR) e seus alunos de Iniciação Científica. Em pouco tempo, o grupo cresceu com a adesão de outros pesquisadores, e atualmente o GEco constitui-se como um grupo interuniversitário de estudos literários e culturais em nível de graduação e pós-graduação, coordenado pelo Prof. Klaus Eggensperger (UFPR) e pelo Prof. Márcio Matiassi Cantarin (UTFPR).

A proposta de trabalho do GEco, desenvolvida em encontros quinzenais, eventos acadêmicos regulares e visitas técnicas, é o estudo e a divulgação da Ecocrítica, buscando aliar teoria e prática, dentro e fora da academia, para promover reflexão e ações no contexto de nossa realidade mais imediata.

Quem quiser saber mais sobre o grupo pode acessar o site:

https://www.grupoecocritico.com.br/

(e-campus) O que é Ecocrítica?

(MMC) Grosso modo, podemos descrever a Ecocrítica como uma vertente crítica que, a exemplo do feminismo e do pós-colonialismo, possui um viés político militante, tendo suas bases nos Estudos Culturais e no marxismo. Os Estudos Ecocríticos se preocupam com a análise crítica da arte e literatura com vistas a uma compreensão mais alargada e sistêmica do lugar e papel dos seres humanos na comunidade dos seres vivos. Trata-se de um campo relativamente recente da crítica literária e cultural no Brasil voltada aos estudos acadêmicos relacionados ao meio ambiente em sentido amplo.

(e-campus) O evento da semana que vem – quem deve participar? Qual o objetivo que vocês buscam na organização de um evento de fôlego como esse? Quais foram as maiores dificuldades encontradas?

(MMC) O evento que acontece na próxima sexta e sábado foi gestado a partir de um Edital de incentivo ao intercâmbio entre Universidades do Paraná, lançado pelo PPG em Letras da UFPR, ao qual atenderam a UTFPR e a UNILA, de Foz do Iguaçu. O Edital prevê a realização de Mesas redondas itinerantes nas três universidades. A primeira mesa acontecerá no neste sábado na UFPR, em torno da qual resolvemos construir o Colóquio para possibilitar a publicização das pesquisas de nossos alunos. Para engrossar o caldo, participarão ainda outros professores da UFPR, como a Luci Collin e Mirian Adelman, além do Cristiano de Sales e da Profa. Tamaran van Kaik, professores da UTFPR.

Nesse momento, em que a Ecocrítica é uma “ilustre desconhecida” no escopo teórico-crítico que atravessa a maioria dos cursos de Letras e mesmo das ciências biológicas, nosso objetivo primordial é divulgar a proposta de abordagem que ela veicula. A inscrição para o Colóquio, que acontece na UFPR, será feita no local, antes do início do evento.

(e-campus) Hoje está em debate a importância da conservação do meio ambiente. Há pessoas dizendo que a natureza consegue se refazer, independente dos danos que a humanidade cause. O que vocês, no grupo, pensam disso? Muitos desanimaram e acham que não tem mais jeito – a devastação da Amazônia foi “devastadora” mesmo, em amplos sentidos. Mas vocês continuam.

(MMC) Não posso me posicionar pelo grupo e penso  que entre os participantes haja diferentes níveis de compreensão e mesmo de esperança sobre a possibilidade de sobrevivência da espécie humana em nosso planeta e de uma sobrevivência minimamente digna e saudável. Alguns cientistas são enfáticos em dizer que já ultrapassamos há algum tempo o “ponto de não retorno”, ou seja, o limite dos recursos que o planeta poderia oferecer em relação ao número de habitantes. Outros são menos pessimistas, com base na análise de dados sobre o aquecimento global que se projetavam na década de 1990, por exemplo, e que não se concretizaram do modo alarmante como se previu (o que dá força inclusive aos discursos e políticas negacionistas do aquecimento global). O que é certo é que até essa falta de consenso entre os cientistas é mais um motivo para nos preocuparmos e nos debruçarmos sobre essas questões, que são, antes de qualquer coisa, problemas sistêmicos que estão na base de todas as profundas crises que afetam a sociedade contemporânea, não apenas a crise climática, mas a dos refugiados, a dos povos do sul e tantas outras.

(e-campus) O grupo de pesquisas é uma ação de esperança? Quem quiser participar, tem que fazer o que?

(MMC) Os participantes do grupo possuem uma formação acadêmica heterogênea, mas penso que não há ninguém que se disponha a pensar e agir sobre as causas ambientais que não tenha ao menos uma centelha de esperança em uma sociedade menos desigual.

O grupo tem sim um caráter acadêmico, como não poderia deixar de ser, dada a sua gênese, mas está atento e aberto a outras realidades e práticas culturais-ambientais. Foi seguindo esse ideário, por exemplo, que uma de nossas atividades de 2018 foi a participação no “Caminho das Ervas – Imersão sobre Plantas medicinais e PANCS”, idealizado por Atúbenganga Ronan Rolim, do Terreiro Casa da Aroeira, em Colombo.

Quem quiser se aproximar do grupo para conhecer e participar, um bom início é participar como o ouvinte do evento do próximo final de semana. Não teremos mais reuniões de estudo em 2019, mas em 2020 retomaremos as atividades. Para mais informações, pode entrar em contato comigo no DALIC ou pelo e-mail cantarin@gmail.com.